A RENAST (Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador), criada em 2002, “constitui a principal estratégia para a implementação da Política Nacional de Saúde do Trabalhador no Sistema único de Saúde (SUS). Ela articula diversas instituições e atores sociais que compõem o campo da Saúde do Trabalhador e a atuação da rede de serviços dos SUS. Para isso, os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) devem desenvolver ações que incluem a estruturação de protocolos, de linhas de cuidado, a capacitação de profissionais da rede, o registro, análise e disseminação de informação e outros instrumentos que favoreçam a integralidade de ações de saúde do trabalhador e o controle social”.

A Plataforma Renast online, com o objetivo de democratizar o acesso a ferramentas nesse campo e incentiva a formação continuada, divulga uma série de conteúdos interessantes sobre o tema. Um deles é o Boletim epidemiológico: Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho no Brasil, 2006-2017. Além de trazer diversos dados muito relevantes, o documento finaliza considerando que “a promoção de ambientes de trabalho saudáveis, com relações entre colegas fundadas no respeito, solidariedade, compaixão e gentileza, é tarefa desafiadora, mas possível, apesar dos tempos de hoje serem pautados pela banalização da violência e do ódio”.

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De acordo com os autores, “os transtornos mentais são comuns, impactam na vida laboral e social das pessoas e suas famílias, repercutindo no bem-estar, além de representar custos expressivos para os sistemas de saúde e previdência, bem como outros programas de proteção social em todo o mundo. Esses transtornos têm determinação complexa e multifatorial, que envolve a dimensão biológica e seu componente genético, a dimensão social, como a pobreza, moradia e vizinhança, gênero, dentre outras, e acesso ao cuidado e desenvolvimento de resiliência, como a educação e apoio social”.

Dessa forma, “o trabalho é um importante determinante social da saúde em geral e, especialmente, da saúde mental. São conhecidos vários estressores ocupacionais relacionados à organização do trabalho, como a sobrecarga e desequilíbrio na divisão de tarefas e poder, que podem dar lugar ao assédio moral, dentre outras formas de violência. A exposição ao ruído excessivo e a agentes químicos, como os agrotóxicos, pode resultar em agravos neurológicos e psíquicos”.

Portanto, “a associação do trabalho com transtornos mentais é alvo de muitos estudos, que recomendam proteção especial dos trabalhadores expostos a fatores de risco e já afetados, como os afastamentos laborais com benefícios acidentários da Previdência, acesso a cuidados à saúde, medidas coletivas de prevenção, dentre outras. Entretanto, o nexo ocupacional desses agravos é ainda pouco investigado, reconhecido e raramente registrado. No SUS, transtornos mentais associados ao trabalho são de notificação compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), cujos registros foram analisados e apresentados nesse Boletim”.

O Boletim pode ser acessado na íntegra aqui. Além disso, foi disponibilizado um vídeo que complementa e explica de forma dinâmica os dados do Boletim:

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