Seguindo a ideia de indicar alguns livros sobre temas que me interessam, resolvi selecionar quatro livros que muito me auxiliam a compreender as relações entre trabalho, subjetividade e saúde. Se você é pesquisador ou profissional da área, pode lhe mostrar novos horizontes.

No decorrer da história, com o desenvolvimento da Psicologia científica e de outras áreas do conhecimento, formou-se aos poucos o que pode se considerar um campo específico de compreensão e intervenção na relação entre trabalho, organizações e pessoas (LEÃO, 2012).

Apesar de possuírem um objeto comum – o trabalho – é difícil dizer que exista uma unidade entre as abordagens da chamada Psicologia Organizacional e do Trabalho – POT (BENDASSOLLI; SOBOLL, 2011a). Afinal, as inúmeras perspectivas que norteiam o pensamento do psicólogo sobre o mundo do trabalho apresentam relevantes divergências.

Para conhecer melhor algumas perspectivas que buscam conhecer e transformar a relação entre trabalho, saúde e subjetividade, eis algumas indicações. Além de apresentarem uma postura crítica da ‘habitual’ presença do psicólogo nas organizações e no trabalho, essas abordagens trazem um olhar para entendermos o ‘trabalho’ muito além de sua institucionalização econômica.

1. A Loucura do Trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho

(Editora Cortez – Oboré, 1992. Christophe Dejours)

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De acordo com Lima (2002), a Psicopatologia do trabalho surge a partir de um movimento ocorrido na França, no final da década de 1940, que pode ser chamado de Psiquiatria Social, originando várias correntes de pensamento. No Brasil, o tema ganhou especial relevância à partir das décadas de 80 e 90 do século passado.

O livro “A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho”, de Christophe Dejours -, publicado no Brasil em 1987, é um ícone para este avanço e inspiração a pesquisadores e profissionais da área. Quando comecei a estudar o assunto este título me ajudou muito e, cada vez que me aprofundo mais no tema e conheço outros autores, ele se torna ainda mais essencial na minha biblioteca.

2. Clínicas do Trabalho: novas perspectivas para compreensão do trabalho na atualidade

(Editora Atlas, 2011. Pedro F. Bendassolli; Lis Andrea P. Soboll)

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Este livro organizado por Bendassolli e Soboll (2011b) busca traçar uma panorama da diversidade de posicionamentos, abordagens e filiações da Psicologia voltada às questões do trabalho. Dividido em três partes (Fundamentos; Perspectivas Francesas; Perspectivas Brasileiras), o livro traz contribuições de diversos autores que se tornaram referências na área como: Yves Schwartz, Christophe Dejours, Yves Clot e Dominique Lhuilier.

Pessoalmente, esta coletânea já me auxiliou e continua auxiliando muito nos estudos de trabalho e subjetividade. Para quem deseja se aprofundar no assunto, será uma bela aquisição.

3. Psicodinâmica do Trabalho: contribuições da Escola Dejouriana à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho

(Editora Atlas, 2007. Christophe Dejours; Elisabeth Abdoucheli; Christian Jayet)

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O nome deste livro diz bastante, afinal, lidamos aqui com contribuições e aprofundamentos de Christophe Dejours e sua equipe no estudo da relação entre prazer, sofrimento e trabalho. Talvez alguns possam estranhar a diferença entre a Psicopatologia do Trabalho – citada anteriormente e atribuída ao livro de Dejours – e a Psicodinâmica do Trabalho. A explicação está na introdução deste livro.

Com apenas cinco capítulos, este título traz textos fundamentais para se compreender de modo mais detalhado os elementos de análise da relação entre trabalho e subjetividade na perspectiva da Psicodinâmica do Trabalho. Pessoalmente, obtive muitos ganhos com sua leitura e pude compreender alguns dos motivos que fazem, desta abordagem, umas das mais referenciadas entre autores da área.

4. Trabalho e Saúde: cenários, impasses e alternativas no contexto brasileiro.

(Editora Opção, 2015. José Newton Garcia de Araújo; Mário César Ferreira; Cleverson Pereira de Almeida)

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Essa é a minha mais recente aquisição para a biblioteca sobre saúde e trabalho. O livro busca revisitar a temática trabalho e saúde no contexto da realidade brasileira, apontando cenários, impasses e possíveis alternativas de transformação do sofrimento em bem-estar no trabalho. Os pesquisadores integram um dos grupos de trabalho da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia.

São doze capítulos com diferentes olhares e pesquisas em diferentes setores sob perspectivas distintas. Nas palavras dos organizadores, este livro busca contribuir com transformações sustentáveis nos contextos de trabalho. “Neste sentido, as atividades de trabalho poderão transformar-se em fonte de bem-estar, contribuindo, dentro de suas possibilidades, para a construção de um mundo mais justo” (ARAUJO, 2015). Mais uma dica para completar a sua estante.

Referências bibliográficas

ARAUJO, J. N. G. Trabalho e saúde: cenários, impasses e alternativas no contexto brasileiro / José Newton Garcia de Araújo, Mário César Ferreira, Cleverson Pereira de Almeida [Organizadores]. 1. ed. Opção: São Paulo, 2015.

BENDASSOLLI, P. F., SOBOLL, L. A. P. Clínicas do trabalho: filiações, premissas e desafios. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, vol. 14, n. 1, pp. 59-72, 2011a.

BENDASSOLLI, P.F.; SOBOLL, L.A. Clínicas do Trabalho: novas perspectivas para a compreensão do trabalho na atualidade. São Paulo: Atlas; 2011b.

DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5a ed. amp. São Paulo: Cortez – Oboré, 1992.

DEJOURS, Christophe; ABDOUCHELI, Elisabeth; JAYET, Christian et al. Psicodinâmica do trabalho: contribuições da Escola Dejouriana à análise da relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas, 1994. 145p.