Por Marina Freitas Alves da Costa* e Rebecca Magalhães Monteiro**

O presente texto constitui uma resenha do artigo intitulado “Vulnerabilidade ao estresse e satisfação no trabalho de funcionários públicos” com autoria de Dario Cecilio-Fernandes da Universidade São Francisco; e Ana Paula Porto Noronha, também da Universidade São Francisco.

Os autores se basearam na definição de satisfação no trabalho como fundamentada em valores, metas, desempenho, satisfação e reforço. Os valores dizem do quanto a pessoa quer atingir uma meta; as metas são os propósitos que a pessoa deseja alcançar e que impulsionam a realizar tarefas (desempenho) que, por sua vez, gera resultados (satisfação) e retornos (reforço). Destaca-se que a satisfação no trabalho está diretamente relacionada com a saúde, qualidade de vida e o comportamento dentro da organização (Cecilio-Fernandes & Noronha, 2015).

Quando não há satisfação no trabalho torna-se evidente o aparecimento de eventos estressores que, consequentemente, levam ao estresse. O estresse acarreta prejuízos na qualidade de vida da pessoa e tal constructo ainda não possui uma definição consensual, porém ele é referido na literatura como uma situação que causa pressão e desconforto à pessoa.

Diante de tais conceitos, o estudo teve como objetivo verificar se as variáveis sexo, vulnerabilidade ao estresse, idade, escolaridade e tempo de serviço diferenciam os níveis de satisfação dos trabalhadores. Para isso, participaram da pesquisa 116 pessoas, funcionárias de 2 escolas com atuação nas áreas de saúde, administrativa e professores, com idade entre 19 e 62 anos (M=46,19; DP=8,826). Os participantes responderam de forma coletiva a Escala de satisfação no trabalho que é comporta por 35 itens em que a pessoa precisa responder o quanto está satisfeita com cada aspecto organizacional, e a Escala de vulnerabilidade ao estresse no trabalho – EVENT que apresenta 40 itens e objetiva avaliar a percepção da pessoa em relação aos elementos estressores no local do trabalho.

Como resultado, não foram encontradas diferenças significativas em relação ao sexo, idade e tempo de serviço. Tais achados não estão de acordo com a literatura haja visto que pesquisas apontam as mulheres com médias maiores em exaustão emocional e professoras apresentando níveis maiores de estresse. Além disso, outras pesquisas mostram que professores mais velhos apresentam maior exaustão e a existência de uma relação entre condições de trabalho e experiência dos professores.

Houve também diferenças entre as médias referente a escolaridade. Profissionais mais especializados tendem a ser mais críticos em relação as condições e ambiente de trabalho. Isso pode ser analisado a partir do pressuposto de que pessoas com maior escolaridade tendem a possuir melhores mecanismos de enfrentamento ao estresse, porém percebem mais criticamente fatores estressante no ambiente de trabalho.

Ademais, os dados obtidos no estudo indicam que os funcionários das escolas da amostra são mais satisfeitos e menos vulneráveis ao estresse. Assim, observa-se uma tendência de que pessoas mais satisfeitas no ambiente de trabalho apresentam menos fatores estressantes.

Como limitações do estudo, os autores apontam a amostra reduzida, maioria dos participantes sendo do sexo feminino (90%), os instrumentos que não eram específicos para a população investigada e a aplicação ocorreu em apenas um estado. Desse modo, existem aspectos para ainda serem investigados em pesquisas futuras.

Referência

Cecilio-Fernandes, D., & Noronha, A. P. P. (2015). Vulnerabilidade ao estresse e satisfação no trabalho de funcionários públicos. Psicologia em Revista21(3), 621-637. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/per/v21n3/v21n3a13.pdf

Marina Freitas Alves da Costa é graduanda no curso de Psicologia da PUC Minas, bolsista de iniciação científica do grupo de pesquisa Psicologia, Trabalho e Processos Psicossociais e assistente terapêutica de crianças com atraso no desenvolvimento com base no Modelo Denver de Intervenção Precoce.

Rebecca Monteiro é psicóloga pela PUC Minas, mestre e doutora em Avaliação Psicológica pela Universidade São Francisco. É professora na PUC Minas e Coordenadora do LEPAP (Laboratório de Estudos e Pesquisa em Avaliação Psicológica PUC Minas/Coração Eucarístico)