Nos dias 19 e 20 de março de 2019, ocorreu a II Mostra de Formação da Faculdade de Psicologia da PUC Minas, evento que fez parte das comemorações dos 60 anos de contribuições da Faculdade de Psicologia. Em meio às diversas atividades da programação, oferecemos, eu e meus parceiros Rafael Nascimento de Castro e Rodrigo Padrini Monteiro, um minicurso de 04 (quatro) horas de duração com a temática “Recrutamento e Seleção: apontamentos da prática profissional”.

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O objetivo foi oferecer capacitação para que os participantes pudessem conhecer as ferramentas de gestão e compreender a importância das etapas para a captação eficiente de pessoas, como também disponibilizar uma visão prática dos processos de recrutamento e seleção, proporcionando um entendimento para além da teoria.

Foram abordados os motivos que desencadeiam um processo de recrutamento, dentre eles o desligamento, a aposentadoria, o aumento ou o remanejamento do quadro de pessoal. Além disso, discutimos experiências concretas das etapas de seleção, ou seja, o processo de escolha dos candidatos entre os recrutados.

Fomos felizmente surpreendidos pelo grande público, predominantemente composto por estudantes de psicologia, que interagiram, tiraram dúvidas e nos deram um retorno positivo na avaliação, demonstrando interesse por esse campo de atuação:

“Achei ótimo, propostas assim deveriam ser mais recorrentes na Universidade. Devemos valorizar a Psicologia Organizacional.” (Participante do minicurso)

“Acredito que é muito importante compartilhar essas informações. Novas ideias otimizam o trabalho, aperfeiçoam e proporciona crescimento. Parabéns Equipe!” (Participante do minicurso)

Durante a exposição do conteúdo, espaços foram abertos para troca de experiências e um tema que chamou a atenção diz respeito às práticas discriminatórias envolvendo o processo de recrutamento e seleção, infelizmente ainda presente nas organizações. Segundo Castro (2015):

[Existem discriminações] De gênero, de etnia, de condição sexual, diversas. Em alguns momentos, quando eu sentia que tinha abertura, eu me posicionava. Tenho um exemplo de um caso. Eu estava fazendo o processo seletivo junto com um gestor, uma gestora, na verdade, e uma analista de RH da empresa. E durante o processo, nós tínhamos sete ótimas candidatas e elas falaram que gostaram muito de todas as candidatas, mas elas não queriam contratar por serem mulheres. Ai nesse momento eu senti que tinha abertura e resolvi me posicionar. Falei: engraçado, né? Nós aqui, três mulheres, estamos falando que não vamos contratar mulheres. Assim, eu não consigo saber qual é o nosso papel – mulheres – na sociedade. (VERÔNICA citada por CASTRO, 2015, p.30 e 31).

Vale lembrar que, de acordo com a Lei Federal nº 9.029, de 13 de abril de 1995, artigo 1°:

Fica proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso a relação de emprego, ou sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade, ressalvadas, neste caso, as hipóteses de proteção ao menor previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal (BRASIL, 1995).

A partir dessas inquietações, tivemos a oportunidade de esclarecer, orientar e reforçar o quanto o nosso papel é importante, como profissionais da área, para tentar eliminar quaisquer atos e/ou procedimentos que denotem discriminação e preconceito nos processos de recrutamento e seleção. Afinal, recrutar e selecionar é muito mais do que apenas “fechar vagas”.

Leia também:

Sugestões de leitura

DUTRA, Joel Souza. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2002.

PONTES, Benedito Rodrigues. Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal. 3ª ed. São Paulo: LTr, 2001.

Referências

BRASIL. Lei nº 9.029/95, de 13 de abril de 1995. Proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização, e outras práticas discriminatórias, para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 17 abr. 1995.

CASTRO, Rafael Nascimento. Os desafios do psicólogo organizacional na realização das atividades que envolvem os processos de seleção de pessoas. Monografia (Conclusão de curso) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Faculdade de Psicologia, Belo Horizonte, 2015.

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